A indústria calçadista brasileira processa milhares de toneladas de PVC todos os meses. O que separa um composto bom de um composto inadequado não é o preço por quilo: é a dureza. Dureza errada gera reclamação no cliente final, devolução, retrabalho e perda de cliente.
Esse guia organiza a lógica de escolha de dureza Shore A para solado, entressola e palmilha.
A escala Shore A em uma frase
Shore A mede dureza de materiais flexíveis com durômetro padronizado. Valores vão de 0 (gel) a 100 (rígido próximo a borracha dura). Quanto maior o número, mais firme o composto.
Para PVC em calçado, a faixa útil vai de 50 a 95 Shore A. Cada faixa tem aplicação específica.
Por componente
Solado externo
Faixa típica: 75 a 85 Shore A.
É a parte que toca o chão. Precisa resistir a abrasão (caminhada, atrito) e flexão repetida (cada passo do usuário). Dureza abaixo de 75 desgasta rápido. Acima de 85 perde aderência e fica escorregadio.
Para calçado infantil e esportivo recreativo, podemos baixar para 70 a 75 Shore A em troca de mais conforto, sabendo que a durabilidade cai um pouco.
Entressola
Faixa típica: 50 a 65 Shore A. Ou Polyexp micro-expandido.
É a camada entre o solado externo e a palmilha. Tem função de amortecimento e isolação. Mais macio que o solado externo porque seu trabalho é absorver impacto.
Para calçado esportivo onde redução de peso é prioridade, usamos Polyexp com densidade entre 0,30 e 0,60 g/cm³. Mantém o amortecimento sem o peso de uma entressola convencional.
Palmilha rígida (forma interna)
Faixa típica: 90 a 95 Shore A ou 30 a 50 Shore D.
É a base estrutural dentro do calçado. Mantém a forma e suporta o pé. Composto semi-rígido nessa faixa preserva geometria sem trincar quando o calçado é dobrado para guardar ou usar.
Palmilha de conforto (interna macia)
Faixa típica: 50 a 65 Shore A.
É a parte que toca o pé. Quanto mais macia, mais conforto percebido. Cuidado com macio demais: composto abaixo de 50 Shore A pode amassar permanentemente e perder forma.
Tira (sandália)
Faixa típica: 70 a 85 Shore A.
Precisa flexionar sem rachar e resistir a tensão quando o usuário calça. Excessivamente macio (abaixo de 65) deforma e perde elasticidade. Muito rígido (acima de 90) machuca.
Cor
A escolha da cor afeta um pouco a formulação porque pigmentos diferentes têm comportamento térmico diferente durante o processamento. Cores escuras (preto, marrom, azul marinho) são mais previsíveis. Cores claras (branco, off-white) exigem mais cuidado na estabilização para não amarelar com o tempo.
Para calçado infantil com cores vibrantes, validamos a estabilização específica de cada lote para evitar mudança de tom após meses no estoque.
Atoxicidade
Para calçado infantil (até 14 anos conforme normativa) a formulação precisa ser atóxica. Significa formulação sem ftalatos restritos (DEHP, DBP, BBP), sem cádmio, sem chumbo, com plastificantes seguros.
A Polyblu formula PVC flexível e Polyexp em versão atóxica conforme RoHS e normas para brinquedos (EN 71, ASTM F963). Declaração técnica acompanha o lote.
Como pedir corretamente
Quando o cliente envia briefing para amostra, idealmente especifica:
- Componente alvo (solado, entressola, palmilha, tira)
- Dureza desejada em Shore A
- Cor (Pantone se possível, ou amostra física)
- Processo da linha (injeção, extrusão, calandragem)
- Norma de conformidade aplicável (atóxica, RoHS)
- Volume mensal estimado
Com essas seis variáveis a engenharia desenvolve formulação específica e libera amostra para teste em processo.
Erro mais comum
O erro mais comum em briefings novos é pedir composto baseado no preço do quilo sem definir a dureza. Composto barato com dureza errada gera retrabalho de centenas de pares e perda de cliente final. Composto certo na dureza correta é investimento de menor risco operacional.