Calandragem é o processo industrial usado para transformar PVC flexível em folha contínua de espessura controlada. Sai filme para embalagem flexível, lâmina para revestimento, tapete de PVC, capa para mangueira lisa, papel de parede. O processo é antigo, robusto e produz em alta escala. Mas tem três desafios térmicos que separam composto bom de composto inadequado.
Como funciona a calandragem
O composto fundido entra na calandra: uma série de cilindros aquecidos rolando em direções opostas, geralmente quatro cilindros em arranjo F invertido, L ou Z. Cada par de cilindros aperta o composto e o espalha. O último cilindro define a espessura final da folha. Depois, a folha resfria em rolos de resfriamento e enrola em bobina.
A espessura típica final fica entre 0,15 e 1,5 mm dependendo da aplicação. Velocidade de produção típica vai de 20 a 80 m/min.
Os três desafios térmicos
1. Tempo de residência alto
Em extrusão ou injeção, o composto fica fundido por segundos. Em calandragem, o composto passa entre cilindros aquecidos por dezenas de segundos antes de virar folha resfriada. PVC é termicamente sensível, e tempo longo sob calor é convite para degradação.
Sintoma: amarelamento da folha ao longo do dia. O composto inicial sai branco, depois de algumas horas começa a sair levemente amarelado, no fim do turno fica visivelmente amarelado.
Solução via formulação: estabilizante térmico reforçado, com pacote calibrado para o tempo de residência da calandra.
2. Aderência aos cilindros
Calandra aquecida e PVC fundido tendem a grudar. Composto que adere altera espessura, deixa marca na folha, e em casos graves para a linha.
Sintoma: marcas de cilindro na folha, espessura irregular, paradas para limpeza dos rolos.
Solução via formulação: lubrificante externo específico para calandragem (cera de polietileno, cera de parafina, estearato adequado). Calibrar dose é importante: pouco lubrificante causa aderência, lubrificante demais reduz transparência da folha.
3. Estabilidade dimensional na bobina
A folha sai da calandra fundida e ainda quente. Resfria em rolos. Depois enrola em bobina. Se a estabilização térmica é fraca, a folha continua “trabalhando” dentro da bobina (encolhendo, gerando enrugamento ou aderência entre camadas).
Sintoma: bobina que abriu na semana seguinte vem enrugada, com marcas de aderência entre camadas, espessura variável quando desenrolada.
Solução via formulação: composição com peso molecular médio adequado, e estabilização térmica que continua atuando após resfriamento.
Defeitos comuns e suas causas
Bolha ou furo
Causa típica: umidade no composto. PVC absorve umidade do ar, especialmente em climas tropicais. Composto úmido na calandra gera vapor que vira bolha.
Combater: secagem do composto antes do processamento (3 a 4 horas a 70-80°C em estufa), e envase do composto em embalagem com barreira a umidade.
Risca longitudinal
Causa típica: pequena impureza ou aglomerado no composto que arrasta na superfície do cilindro.
Combater: peneiração rigorosa do composto antes do envase.
Variação de espessura
Causa típica: variação de viscosidade do composto, que faz a quantidade de material entre os cilindros variar.
Combater: composto com viscosidade estável lote a lote, vindo de controle de qualidade rigoroso na produção do composto.
Amarelamento progressivo
Causa típica: estabilização térmica insuficiente para o tempo de residência da calandra.
Combater: formulação específica para calandragem com estabilizante reforçado.
Cheiro forte ou ardência nos olhos
Causa típica: liberação de HCl pela degradação térmica do PVC. Indica que a temperatura está acima da janela ou a estabilização está marginal.
Combater: revisar temperatura dos cilindros (não passar de 195°C), revisar estabilizante. Em casos graves, parar a linha e investigar antes de continuar.
Janela térmica típica
| Etapa | Temperatura |
|---|---|
| Entrada (cilindro de alimentação) | 165-175°C |
| Cilindros intermediários | 175-190°C |
| Cilindro final (definidor de espessura) | 180-195°C |
| Rolos de resfriamento | 30-50°C |
A diferença de 10°C entre cilindros de uma linha de calandra significa muito. Composto formulado para uma linha específica precisa ser testado em outra linha antes de assumir que vai funcionar igual.
Aplicações típicas onde calandragem domina
- Filme PVC flexível para embalagem industrial e alimentícia
- Lâmina para revestimento de móvel ou parede
- Tapete e capacho de PVC
- Capa fina para mangueira de pequeno diâmetro
- Cortina de PVC transparente para divisão industrial
- Papel de parede lavável
- Lonas e estruturas infláveis leves
Cada aplicação tem exigência específica de transparência, brilho, flexibilidade a baixa temperatura e conformidade normativa.
Como pedir composto para calandragem
Briefing técnico inclui:
- Aplicação final
- Espessura alvo da folha (em mm)
- Largura da folha
- Velocidade de produção alvo (m/min)
- Transparência (cristal transparente, translúcido, opaco) e cor
- Conformidade normativa (alimentício, atóxico, retardância de chama)
- Volume mensal estimado
- Modelo e capacidade da calandra (se relevante)
Com base nesse briefing, a engenharia da Polyblu desenvolve a formulação específica para calandragem.